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Que se faca luz!

13 / OUT / 2014


 
A Vila Madalena tem sido, há alguns anos, alvo central da especulação imobiliária paulistana. Fugindo à regra das demolições e erguimentos de novas construções, esta dupla de arquitetos decidiu ir além, buscando adaptar o antigo sobrado às necessidades de seus clientes, tendo como lema uma só palavra: luz.
 
Conscientes da pouca luz disponível para iluminar a casa de 4.5m de frente x 16,5 de comprimento, Juan Pablo Rosenberg e Marina Acayaba criaram um oco em meio ao terreno, que permitiu iluminar as áreas centrais - incluindo o subsolo - e ainda conferir charme e leveza aos espaços que delimita.
 
O pátio representa o ponto alto desse antigo sobrado, que deixou de lado seu perfil de "casa geminada familiar", cedendo espaço para uma nova e moderna produtora. O espaço tornou-se mais convidativo e agradável, além de ter ganhado a comunicação cruzada entre todos os níveis da casa.
 
 
 
Os fechamentos de vidro, que funcionam como paredes para o pátio interno, são portas de piso a teto com estruturas metálicas especialmente desenhadas para o local. Graças ao eficiente sistema de trilhos de seu modelo "Camarão", as esquadrias abrem completamente. Existem ainda folhas basculantes que permitem a ventilação ainda quando estão fechadas as portas.
 
 
A entrada se dá de maneira majestosa e contundente: desde a abertura da porta principal, o visitante já se depara com uma passarela marcada pela cor preta, que o convida a explorar o generoso comprimento da edificação.
 
 
Cruzando o saguão de entrada e seguindo em frente pela passarela, o olhar é imediatamente levado a estudar melhor o subsolo, de onde começa o imenso painel verde que comunica os três níveis.
 
Após cruzarmos toda sua extensão, chegamos ao bloco seguinte, que abriga a sala de reuniões. Nos damos conta ainda da presença de um lance de escadas, que comunica essa sala com o subsolo.
 
Ainda na sala de reuniões, olhamos para trás e nos damos conta agora da presença de um lance de escadas no canto direito do bloco dianteiro, que leva ao andar seguinte, onde estão a sala de produção e o estúdio fotográfico, com vista direta para a rua.
 
 
A construção funciona ainda como residência. Depois de ter entrado em funcionamento, eventualmente os proprietários apossavam-se do estudio de musica, tornando-o uma suíte temporária.
 
O piso foi parcialmente conservado: no bloco frontal, foi mantido o original em madeira - que gerou, aliás, interessante contraste com o negro da passarela - enquanto no bloco de trás, a escolha foi pelo cimentado. No pátio, pedriscos.
 
 
Houve grande preocupação com a manutenção da fachada: por ser a última da fileira de casas geminadas, optou-se pelo mínimo de modificação, mantendo a identidade do bairro e garantindo ainda sua luz própria.
 
 
fonte: Revista aU - Agosto 2013