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Praa das Artes, So Paulo

12 / SET / 2015


 

Projetada pelo Brasil Arquitetura como um anexo do Theatro Municipal, o Praça das Artes, em São Paulo, abriga espaços que atendem ao Conservatório de Música e à Escola de Dança municipal, além de armazenar o vasto acervo do arquivo dessas instituições: partituras, documentos, peças e vários outros registros.

De proporções aparentemente acanhadas, do ponto de vista de um observador desavisado, esse conjunto mostra sua verdadeira faceta à medida que se caminha por dentro dele. São vários edifícios, além de zonas de estar internas, que atendem diversas funções, tanto privadas quando públicas.

Os blocos, todos de aparência robusta e traçado minimalista, transmitem imediatamente a linguagem do grupo Brasil Arquitetura, responsável pela obra: seus arquitetos acreditam na verdade dos materiais e em projetos que aliem função à sensorialidade do usuário.  Apesar do grande espaço de que dispunham para realizar a construção, optaram por criar generosos eixos de circulação, passagens, túneis e passarelas, que possibilitam não só uma ótima acessibilidade, como também diversos pontos de contemplação do conjunto edificado.

Seguidores dos ensinamentos de Lina Bo Bardi, arquiteta brasileira muito atuante na cidade de São Paulo nos anos 60-70, os sócios desse escritório fizeram jus aos ensinamentos de sua mestra, empregando diversos pontos da Escola Paulista nesse complexo situado no centro da cidade. Além da crueza do concreto e da valorização das zonas de percurso, todos os edifícios conformam-se a um gabarito limitado,  num franco  respeito às edificações do entorno e ao traçado urbano da região. É uma espécie de edifício-costura, que se abre a 3 diferentes ruas, convidando a uma rica experiência no local. Outra estratégia foi esconder o estacionamento no subsolo, privilegiando o pedestre.

Em termos de ventilação, o edifício também ganha pontos, graças aos generosos e recuos e as muitas esquadrias, dispostas de maneira desconectada por todos os pavimentos. A sensação é de um “desencaixe”, chamando ainda mais atenção aos blocos edificados. Essas aberturas, aliás, refletem-se nos interiores de forma interessante e dinâmica, quebrando qualquer possível monotonia.

Por ultimo, é interessante observar o aspecto cromático: as cores foram aplicadas com inteligência, para sinalizar os espaços: num dos salões principais, o forro recebeu placas vermelhas, azuis e amarelas, chamando atenção para o trabalho acústico do teto. O mesmo ocorre com a cor azul e vermelha em algumas salas de instrumentos musicais. Já alguns locais de exposições livram-se de qualquer cor, deixando que brilhem apenas os objetos ali exibidos.

O Conjunto Praça das Artes é primoroso. Sua implantação na cidade, bem como seus materiais, espaços internos e design parecem plenamente orquestrados entre si. Vale ressaltar que, no ano de 2013, 7 anos após a criação do projeto, este foi premiado pela Icon Award de Londres na categoria “Edifício do Ano”, batendo nomes como Renzo Piano e Herzog & de Meuron. Vale a pena a visita.

Fonte: ArchDaily Brasil